Machismo invisível?

Data: 20.04.2015  Categoria: Pessoal  Leitura: 5 minutes 

Nunca falei sobre machismo ou feminismo. Não gosto dessas palavras e nem de rótulo nenhum, hoje em dia parece que os rótulos tiram a sua liberdade de pensar sobre qualquer coisa. Se você pensa A sobre o assunto B você é C e não tem mais o direito de pensar diferente sobre mais nada.
Vou continuar não falando sobre machismo e feminismo (até mudar de ideia) pois não sou nem uma coisa nem outra (feministas piram com isso) mas não sou nada, não sou ninguém; sou apenas eu. Quero deixar claro que isto é apenas o que eu vejo acontecer, não ponho culpa em ninguém nem em rótulo nenhum.

Eu recebo as atualizações do Think Olga por e-mail e confesso que não leio tudo e nem concordo com tudo, acho algumas coisas radicais demais e isso me cansa.
Esses dias compartilharam o link deste site no meu Facebook e resolvi parar para ler o post “O machismo também mora nos detalhes” e concordei com tudo o que li, porque eu passei por isso, passo por isso e passei por aquilo minutos depois de terminar a minha leitura; a situação só não tinha um nome pra mim, não sabia bem o que era que estava acontecendo.

Para você entender o que vou falar vou resumir o texto rapidão.
Ele fala sobre os diversos tipos de machismo invisível que existe por aí e a gente nem se da conta, o Think Olga trouxe 4 tipos deles: manterruptingbropriating, mansplaining e gaslighting. São termos em inglês e não existe uma tradução, mas eu trago a explicação que eles colocaram no site para vocês.

#manterrupting: Quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor.

#bropriating: Quando, em uma reunião, um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela.

#mansplaining:  É quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio a você, como se não fosse capaz de compreender, afinal você é uma mulher.

#gaslighting: Violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz.

 

thinkolga

Já conversei várias vezes sobre isso, comigo mesma, claro. Em meus poucos anos vi muito disso acontecer, com outras e principalmente comigo (digo principalmente porque é mais fácil de ver as coisas acontecerem quando se está na própria pele). E pensei muitas vezes em desistir de tudo.

Vi esse tipo de coisa acontecer todo dia e houve algumas manhãs em que eu acordava chorando sabendo que teria que passar por tudo de novo. Cheguei a me culpar muitas vezes, e achar que tudo isso que acontecia era por minha causa e era eu quem provocava esse tipo de tratamento. Só depois fui perceber que eu não fazia absolutamente nada pra merecer ser tratada desta maneira.
E não venham com “não fez nada pra merecer, mas e pra isso parar? Você fez alguma coisa?”. Tentei, e tentei muito. Tentei da forma que sabia fazer, ignorar. Claro que não deu certo e continuei tentando da forma que podia pois achava que a culpa era minha. Mudei a maneira de falar com as pessoas, a maneira de agir com elas e ainda sim isso não parava, então fui mudando mais e mais até chegar o ponto em que eu estava totalmente agressiva e na defensiva com qualquer tipo de comentário ou “brincadeira”. Me isolei e só falava o necessário e acabei exagerando. Me isolei tanto que nem para o necessário eu era necessária. Entende?

O que mais vejo acontecer, ao menos comigo, são: manterrupting, gaslighting e uma versão do que seria o bropriating.

Nunca falei nada a respeito. Nunca sentei pra conversar abertamente sobre isso com ninguém, pois as pessoas (lê-se: homens) não dão a mínima pra esse tipo de coisa. Te acham louca, que você está na TPM, que tudo não passa de impressão sua, que você precisa de homem ou resumem tudo com o termo “mal comida”. Conversar foi a minha ultima coisa que passou pela minha cabeça. Eu pensava, “porque falar se as pessoas que precisam ouvir não querem nem saber e vão te chamar de louca? Talvez eu seja louca mesmo!”.

Não sei se é machismo mesmo ou falta de educação, mas agora essas situações já tem um nome pra mim e isso é um começo. Agora sei também que a culpa não é minha e que também não estou sozinha. O que está na hora de acontecer é esses homens ficarem mais cientes das atitudes e das coisas que falam e colocar na balança as consequências de cada palavra. O fato é que isso não é coisa de gente louca, é coisa séria e pode acabar com a vida e a saúde emocional de qualquer um.
Digo “os homens” nesse caso específico, mas todos nós devemos ficar mais conscientes das coisas que falamos por aí, e sim, isso me inclui.

Vale muito a pena parar para ler o texto no Think Olga. É rapidinho e não vai doer, eu prometo. E se tiver uma história para contar pode deixar nos comentários ou mandar um e-mail.

Comentários

Be kind / Be nice

  • Estava procurando o significado desses termos na net, pois em uma excelente aula que tive sobre a Lei Maria da Penha, o professor João Biffe Jr, Promotor de justiça de GO, mencionou estes termos, achei muito interessante e concordo com suas colocações, o machismo existe ainda em nossa sociedade e é um problema que temos, todos juntos, de tratar no seio cultural de nossas famílias, pois isso vem desde nossos antepassados, passado de geração em geração.
    Gostei muito do artigo.

    • Exatamente Francisco! E por você ser um homem e ler isso sem se sentir ofendido e atacado já ajuda muito a resolver esse problema que todos nós temos que resolver. Temos que passar esse tipo de pensamento para nossos filhos e amigos que nenhum tipo de abuso deve ser aceito e visto como normal e que não é divertido colocar medo em alguém e coisa do tipo!

      Obrigada pela visita e pelo comentário! Te espero de volta!
      =*

  • Feminista é acreditar que homens e mulheres têm os mesmos direitos. Se você não é feminista, é machista. Não gosto de rótulos, mas aposto que rotula o vizinho de “gordo” ou a vizinha de “pirada”.

    • Entre o preto e o branco há pelo menos 50 tons de cinza.
      Mas a vida é aprendizado, né? Hoje a gente pensa de um jeito, amanhã de outro e assim vai até o último. Existem posts mais novos e melhores que esse, estão aí pra quem quiser ler. Idéias, opiniões… tudo muda. A graça de deixar registrado é essa, ver como a gente pensava, ver onde a gente errou e ver o quanto a gente melhorou.

      =*

  • Muito interessante suas análises e não tenho dúvida que exista “machismos” em nossa sociedade. Basta constatar a diferença salarial entre os sexos, mas fazer essas generalizaçôes é tão cruel quanto o próprio machismo. É jogar fora o cesto de maçãs por causa de uma maçã podre. Talvez você tenha sido tão injusta quanto os machistas por ai. Olha, todos temos inúmeros motivos para desistir ou se excluir (como você escreveu) porque meia dúzia de problemas ou pessoas nos puxam pra baixo. Só que fazer isso é se render; é ter o comportamento de quem precisa amadurecer emocionalmente; é se deixar abalar porque o mundo não está a favor. Infelizmente vivemos no mundo do “eu primeiro” e raramente alguém se preocupa com o que sentimos ou escuta o que falamos. E, pra mim, esse egoísmo é uma eterna bola de neve pra quem vive assim e não vai sofrer com as suas falsas e próprias convicções.

    • Poxa Le, nem generalizei nada. Como disse no começo do texto, não gosto desses rótulos e dessa briga atual entre homem e mulher, quando a “briga” vem generalizada e radical eu acho inútil. Falei sobre o que eu passo todos os dias e vejo acontecer, não de todos os homens do mundo.
      Trabalho em uma área “masculina” então esse tipo de comportamento acaba sendo bem comum. Eu sabia que seria assim, só não sabia q as vezes seria tão difícil.
      Por um lado eu discordo de você de que sentir vontade de desistir e se excluir seja o comportamento de quem precisa amadurecer emocionalmente ou se render; todos têm o direito de se sentir assim algumas vezes. O problema é se sentir sempre assim e nunca fazer nada pras coisas ficarem melhores.
      Eu fiz, conversei com quem estava disposto a me ouvir sobre tudo isso que estava me atrapalhando e quem estava aberto a ouvir entendeu, já quem não estava não posso fazer muita coisa a respeito, o que podia fazer eu fiz.

      Valeu pelo comentário! Beijos =* e volte logo!

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