A era do Ressentimento

Data: 16.05.2015  Categoria: Livros  Leitura: 4 minutes 

Adoro a Av.Paulista e amo a Livraria Cultura. Sempre que a preguiça deixa meu corpo, eu dou um jeito de passar por lá, e gosto de fazer isso sozinha (isso já é outro assunto). O problema é que sempre saio com muitos livros de uma vez. Em uma dessas minhas idas para bater perna, comprar livro e beber cerveja no meu bar favorito, eu voltei com este livro, A era do Ressentimento, e mais alguns três.

Livro - A era do Ressentimento
A era do Ressentimento | Pondé | 176 páginas

Contradições Insuportáveis
Falava anteriormente da infantilização.
Tema recorrente em qualquer sociologia do comportamento contemporâneo. Uma das marcas mais visíveis da infantilização é ter “causas”. As “causas” contemporâneas (crianças na África, meio ambiente, bikes). As “causas” funcionam como marketing moral. Simplifica a vida de uma forma como nem o purantismo o fez, porque este se baseava no medo do “pecado em mim”, e os puros de hoje não têm pecados. A infantilização aqui se revela no fato de que essas pessoas são como Branca de Neve, cheias de bons sentimentos. Negam as contradições, por isso as redes sociais lhes servem tão bem. Uma das nossas tragédias está no fato de que quase sempre é o fracasso que torna a vida real. (Pondé, Luiz Felipe. 2014. A era do Ressentimento. São Paulo : Leya, 2014. p. 176.)

No livro, Pondé reúne seus pensamentos sobre diversas coisas do cotidiano dando sua visão sobre tudo e onde vamos parar se continuarmos assim, ressentidos.
Ele fala sobre o que está acontecendo nos dias de hoje e vemos todos os dias na internet. Se você tem Facebook sabe do que estou falando. O lugar virou ringue de ideias, religião e partidos políticos, que nada mais é que briga de ego. E ele fala sobre isso, o individualismo que estamos vivendo.
É uma leitura simples e fácil pois o livro é escrito em tópicos e isso torna a leitura mais rápida. Só não diria que é uma leitura gostosa e leve porque você vai levar muitos tapas na cara. Às vezes “as verdades” do Pondé dão raiva e chegam a incomodar, isso é o que o livro trás de bom e de ruim ao mesmo tempo. Ele trás críticas bem ácidas, textos muito bem escritos e diretos. Pondé não tem medo de dizer o que pensa, e isso é ótimo!

Não concordo com tudo que é dito no livro e mesmo assim ele não deixa de ser bom e reflexivo. Me identifiquei com algumas coisas que são citadas ali, e por isso existiu o incômodo. Triste, mas acho que ao ler você irá se identificar com alguma coisa também. Somos todos uns ressentidos em algum aspecto e por isso vale a pena a leitura.

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Sinopse
Nietzsche costumava dizer que nós sonhamos com um sol que se preocupe com o que a gente sente. E ele dizia que no final das contas, quando a gente descobre que o sol não está nem aí pra nós, que as estrelas não brilham pra nós, que o mar não existe pra que a gente nade nele, a gente entra num desespero que ele chama de ressentimento.

O que é o ressentimento no livro?
“É você achar que todos deviam te amar mais do que amam, você achar que todo mundo devia reconhecer em você grandes valores que você não tem.
Do século XIX pra cá, o ressentimento piorou muito. Ele está em toda parte. Você não pode falar nada que todo mundo se ofende; se você fizer uma critica, todo mundo toma como pessoal.”

Quem é o autor?
Luiz Felipe Pondé é filósofo, escritor e ensaísta. Doutor pela Universidade de São Paulo e Université de Paris VIII, é também autor dos livros Crítica e Profecia, Contra um mundo melhor, Guia Politicamente Incorreto da Filosofia e Filosofia da Adúltera. Escreve semanalmente para a Folha de S. Paulo.

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