Conselho e desabafo de uma nova programadora que precisa de conselhos.

Data: 05.08.2015  Categoria: Geral, Pessoal  Leitura: 4 minutes 

Se tem uma coisa que eu reclamo muito e me deixa fula da vida são pessoas que ao invés de te ensinarem o que sabem, preferem tirar um barato da sua cara por não saber algo que para elas é óbvio. E estou falando disso no ambiente profissional. Já falei sobre isso nesse post aqui e de outras coisas parecidas em outros posts também.

Essa semana separei alguns links para ler e me deparei com um texto na lista de posts relacionados do Gizmodo, “Conselhos de um velho programador antissocial e ranzinza“. O texto está originalmente publicado na página do Medium do autor Davi Ferreira.

Gostei muito do que eles escreveu e recomendo para todos os tipos de programadores, desde os mais novos aos mais velhos, dos mais noobs aos high level, dos mais humildes e inseguros aos mais esnobes e soberanos.

Eu tenho um defeito – algo que não pretendo gastar dinheiro com analista para resolver – que é ter crises existenciais para quase tudo o que faço na vida, e elas aparecem inclusive quando estou programando. Pode ser qualquer coisa, sempre entro em crises ridículas de chorar e pensar em desistir de tudo porque não nasci para aquilo, não nasci para nada e todo mundo é melhor que eu.
Eu sei que existem pessoas melhores que eu em alguma coisa / em tudo, a questão não é essa, a questão é que eu me acho muito ruim mesmo. Um lixo, sabe? E aí acho que qualquer um faz melhor qualquer coisa que eu estiver fazendo.

Eu posso saber que sou boa em algo e no fundo eu tenho certeza daquilo, mas na hora que precisam de mim ou me pedem para fazer o que eu gosto, o que eu quero, e que eu sei que sou boa, me da um frio na barriga, desespero por achar que não vou conseguir e que alguém faria melhor. No final sempre da tudo certo e percebo que a “sofrência” por antecedência era ridícula e que preciso parar com isso. É sempre assim, e no texto ele diz:

“Estamos vivendo uma época paradoxal para desenvolvedores. É muito fácil aprender qualquer coisa hoje em dia e, por isso, você precisa saber tudo. Você precisa ser o melhor em tudo o que faz. Vão sempre te comparar com outros desenvolvedores. Você mesmo vai estar sempre se cobrando, duvidando do seu potencial — sempre vai existir alguém “melhor” do que você.

Isso é uma grande besteira. Cobre menos de você mesmo. Procure aprimorar as coisas que você gosta de fazer. As pessoas são diferentes. Vá devagar, enjoy the ride.

Nem todo mundo nasceu pra mudar o mundo e isso foi uma coisa que demorei a entender e aceitar. Mas nada impede você de fazer pequenas mudanças: na sua casa, no seu emprego, no seu círculo social, no seu bairro, na sua cidade, no seu estado e por aí vai.”

Isso é a mais pura verdade e tenho que enfiar na minha cabeça. Na verdade, isso é algo que eu já sei, só tenho que enfiar na cabeça dos poucos soberanos e “zoeiros” que me cercam. Nisso entra aquela história de você não saber o óbvio e te condenarem por isso. Eu sou o tipo de pessoa que entra na pilha fácil e às vezes esconde o que não sabe para não parecer ridícula e pesquiso escondidinha depois.

“É comum desenvolvedores no início de carreira terem vergonha de seus códigos. Não tenha. Vão falar mal, todo mundo fala mal de tudo, mas você vai aprender muito. Vai ter gente que vai falar bem. Você vai receber pull requests, issues e tudo mais. Pode demorar alguns anos ou pode ser uma coisa que vai explodir e o seu repositório vai para a página de trending repos do Github. Você nunca vai saber.

Se é útil para você, certamente vai ser útil para mais alguém.”

Sim, eu tenho vergonha por todos os motivos que já citei, nunca fui aquela criança que levanta a mão pra perguntar ou pra mostrar algo legal que fez porque criança é cruel e zoa mesmo e dão risada e apontam na sua cara. Essas crianças crescem e não mudam, elas continuam na sua vida. Me acho “uó” em alguns dias. Mas aí só tenho que lembrar que “Sempre existe uma maneira melhor de fazer as coisas no nosso mundo. Mas isso não quer dizer que a sua maneira é a errada.” e vai ficar tudo bem… Não vai?!

Comentários

Be kind / Be nice

  • A nossa vida é um grande jogo de xadrez, e precisamos ter resiliência para passarmos por todas as experiências que ela nos oferece, sempre com a disposição de fazer o melhor.
    Nem sempre nós conseguimos, ou estamos em condição de dar o nosso melhor, porém jamais devemos desistir.

    Só não podemos deixar de pedir ajuda. Se isolar não ajuda na resolução de nenhum problema.

    Grande abraço!
    antonio postou recentemente: Hello world!

  • Não saberei de tudo nesta vida, então, procuro usar o benchmark meu e de outras pessoas para realizar as minhas tarefas profissionais. Educação e uma boa dose de bom humor facilitam e fazem os processos andarem. O mundo é bem legal fora do corporativismo. Corporativamente dizendo, faça politica sem politicagem.

    • Pois é, nem você, nem eu e nem ninguém vai saber de tudo na vida. Por isso ajuda e humildade é sempre bem vindo. Uma hora você pode precisar dessas pessoas que você pisou algum dia. Né?

      Beijos Marcelo…

  • Sim. Irá ficar tudo bem. Sou uma prova viva.

    Sempre gostei de tecnologia, internet. Fiz faculdade relacionada, mas não entrei na área. Motivo? Medo.
    Medo de ter que chegar sabendo tudo.
    Medo de não ter suporte de colegas de trabalho.
    Medo de se deparar com problemas e não saber resolver.

    Mas o decisivo foi meu primo. Passamos a infância juntos. Brincávamos, jogávamos juntos. Ele era meu rival. Mas a genialidade dele o levou a caminhos bem diferentes do meu… Ele gostava de jogar xadrez, eu gostava de jogar dama.
    Da onde surgiu o medo de não conseguir resolver problemas? Meu TCC. Dias tentando solucionar algo que, para ele, uma hora foi suficiente. Um alívio pela solução, mas a facilidade que ele tem, foi um golpe.

    Sete anos se passaram, eu estava acomodado em outra área. Uma pessoa veio a mudar tudo isto.
    Eu “vi” ela terminando faculdade e dando a cara a tapa numa área que eu tive medo. Pela distância, só me restava dar apoio moral. Quando ela conseguiu, me senti feliz, me senti realizado. Me senti vazio.
    De repente estava perdido. Não aguentava mais atender telefonemas de clientes. Não aguentava mais receber e-mails de clientes. Não aguentava mais ficar no escritório. Chorei. Meus pais choraram juntos. Não sabia o que fazer. Perdido.

    Fui para o Espirito Santo conhecer meus melhores amigos (melhores amigos sem se conhecer… Yep, internet tem dessas). Fui muito bem recebido, conheci pessoas maravilhosas.
    Um mês inteiro para limpar a mente. Voltei decidido, iria enfrentar.

    Antigos professores me recomendaram um curso recém aberto para inscrições. O timing foi perfeito.
    Curso terminado, enviei currículo para inúmeras empresas, poucas entrevistas, e nada. E agora?

    Meu primo (mencionado anteriormente) recebeu um e-mail e encaminhou para o irmão dele, que me repassou.
    “Oportunidade de trabalhar com um dos melhores desenvolvedores do Brasil”. Deve ser exagero, né? Provável.
    Edson Yanaga, justamente o professor do curso. A pessoa mais inteligente que já conheci. Agora não mais professor, mas meu lider técnico. Estou na área.

    Frio na barriga. Tentar minimizar a falta de conhecimento sobre determinados assuntos, todos fazem isso. Todos.
    Me deparei com colegas que gostavam de ensinar. Já outros, não.
    Me deparei com colegas que apontavam erros e sugeriam soluções. Outros que não se importavam.
    E vai ficar tudo bem… Vai sim! Sou uma prova viva.
    Hoje, quase 3 anos depois, arrisco a dizer que domino certas tecnologias, e adoro repassar todo o conhecimento que adquiri.

    Ao pessoal do ES, muito obrigado por toda a hospitalidade e por todos esses anos de amizade.
    Ao Leonardo, hoje engenheiro de software do Facebook… Fala pro Henrique consertar logo o Xbox.
    Ao Yanaga, agradeço a oportunidade que precisava pra ganhar experiência, aprender a programar bem, a compartilhar todo teu conhecimento.
    À Shadow Priest, serei eternamente grato. Ela foi o gatilho que eu precisava.

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