Azul e vermelho juntos: Por um mundo mais roxo

Data: 30.11.2015  Categoria: Geral  Leitura: 7 minutes 

Às vezes se torna quase impossível falar de outra coisa que não seja sobre os assuntos que vemos todos os dias ou não se ver dando opinião sobre a atual situação política, sobre os movimentos que estão acontecendo, os novos Corinthians vs. Palmeiras que se tornaram as catástrofes na França e em Minas e os partidos políticos. É assim, você é intimado a escolher um lado e a dar sua opinião, ninguém aceita o “prefiro não opinar”.

Acontece que com a pressa e essa mania de querer ser melhor que o outro pode fazer você cuspir nas pessoas, sem elaborar, sem refletir se aquilo te representa, se é daquela maneira mesmo que você pensa e se é preciso ser dito daquela forma. Ping-pong, ping-pong…

Seria bom para todos refletir um pouco mais sobre o que vamos jogar no mundo e não sair rebatendo com raiva repetindo o que leu no post de alguém… para criticar não pensamos duas vezes.

“Se levarmos em conta que falar qualquer coisa está muito fácil, que falamos em excesso e falamos coisas desnecessárias, um novo consumismo emerge entre nós, o consumismo da linguagem. O problema é que ele produz, como qualquer consumismo, muito lixo. E o problema de qualquer lixo é que ele não retorna à natureza como se nada tivesse acontecido. Ele altera profundamente nossas vidas em um sentido físico e mental. O que se come, o que se vê, o que se ouve, numa palavra, o que se introjeta, vira corpo, se torna existência”. – Marcia Tiburi (Como conversar com um fascista – reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro)

Falar é tão fácil que eu estou aqui falando, sobre tudo e sobre nada ao mesmo tempo, mas eu penso se vou publicar ou não, leio várias vezes e penso se as pessoas vão realmente entender o que estou querendo dizer e o ponto onde quero chegar. Mastigo direitinho e espero fazer a digestão. Não saio por aí “invadindo” a timeline alheia com revolta e querendo comprar briga com os outros.

“Só no Brasil que isso acontece”

O que me incomoda de verdade é a síndrome de vira-lata do brasileiro. Vamos parar com isso? Somo maravilhosos! Pessoas são pessoas, em qualquer lugar do mundo, de qualquer cor, de qualquer idioma.

Temos qualidades também, assim como o resto do mundo tem seus defeitos, e pra ser bem sincera os defeitos são os mesmos: as pessoas. Não estou falando de todas, só as que querem culpar alguém por tudo.

Sabe aquela mania que as pessoas têm de comentar em um post no Facebook de alguma fofoca de celebridade da globo dizendo que é por isso que o país está do jeito que está, que é culpa da Dilma e que existem coisas mais importantes pra falar e que no resto do mundo as coisas não são assim? Pois bem, veja os comentários em um post do BuzzFeed ou 9Gag, por exemplo, você lê exatamente as mesmas coisas, só muda o idioma e o presidente do qual eles estão reclamando. A área de comentários dos portais de notícias de fora do país também é um lugar inóspito.

O ódio e brigas em comentários nas redes sociais de gente querendo saber mais que o outro e gente mais revoltada que a outra com o país em que vive está em português, em inglês, em espanhol… Volto a dizer, o problema é mundial. Se quer fugir dos problemas então saia do planeta porque do país não vai adiantar.

Sinto vergonha alheia de quem chama o Bolsa Família de “bolsa vagabundo” e idolatra um país que não é o seu dizendo não existir esse tipo de coisa por lá e quando descobre que tem tenta consertar o que disse com “mas só que lá é diferente.”

Vamos parar com esse papo de que “isso só acontece no Brasil” porque não é verdade, existe um blog no Tumblr muito legal que mostra de maneira bem humorada esse sentimento de inferioridade e revolta que o brasileiro sente, o Só no Brazil. É assim, o cara encontra um tweet de gente dizendo que só no Brasil acontece algo e ele posta logo abaixo uma notícia com algo igual ou equivalente de outro país.

http://sonobrazil.tumblr.com/post/92052551496/como-pode-pergunta-lá-no-posto-italiana-tá

“Precisamos resistir em nome de um diálogo que torne o ódio impotente”

Se o Aécio carrega cocaína em helicóptero aqui, o prefeito de Toronto, Rob Ford, tem vídeo fumando crack (e num passado foi detido na Flórida por dirigir bêbado e em posse de maconha). E mesmo depois do vídeo não teve vergonha de seguir na candidatura para a reeleição. Só digitar o nome dele no Google que você encontra os escândalos dele ou de qualquer outro político de qualquer país, “Escândalo + cargo político + país“.

“República Bolivariana do Canadá” (ironia)

As pessoas, às vezes, falam sem pensar nas contradições das próprias palavras. Reclamam da bandeira da França no perfil do amigo, dizendo que tem gente aqui precisando de ajuda. Só que as ajudas daqui a pessoa também não quer. O Bolsa Família, ajuda muitas famílias a saírem da miséria, daquelas de você não saber se vai ter janta ou não, mas criticam dizendo que deviam ensinar esses “vagabundos” a pescar e não dar o peixe. O que falta não é gente que saiba pescar, essas famílias pescam com o que tem quando precisam, o que falta é área que existam peixes. Entende?

Vejo essas pessoas que criticam o BF enaltecendo outros países; o Canadá está na moda, as realidades no Brasil e no Canadá são bem diferentes, mas somos nós com o “Bolsa Família” aqui e eles com o “Social Assistance” acolá. As exigências são bem semelhantes. Não vou entrar em valores, até porque eles mudam, não é algo do país, mas por províncias e não é disso que estou falando e não é isso que quero comparar, até porque não quero fazer comparações; de qualquer forma, o auxílio lá não é o suficiente para cobrir todas as despesas mas isso não é visto como esmola por lá mas sim um direito daquele que está vivendo ali. Lá é um direito, aqui vira esmola. Porque? O Bolsa-Família é um direito de quem está vivendo aqui também!

Temos os nossos problemas e pontos fracos no programa, mas isso não faz dele ruim, melhor focar numa solução pra esses problemas do que tirar o programa e ter um problema maior depois, não é? E se fosse você precisando dele? Se essas pessoas admiram tanto o que é feito acima do equador porque aqui não pode ser igual? Por que dois pesos e duas medidas? É esse o ponto onde eu quero chegar. Os países com uma economia mais estável e o índice de pobreza baixo tiveram nestes programas sociais uma base fundamental para o seu desenvolvimento.

Vamos parar com esse papo de que o seu lado é melhor que o meu, que a sua opinião é melhor que a minha, que partido A é ruim e o B é que é bom, direita vs. esquerda, vermelho vs. azul, estrela vs. tucano. Pois mesmo que fosse verdade, o seu lado deixa de ser bom a partir do momento que você tenta colocas as pessoas nele com grito e grosseria com quem não concorda com você. E o problema está aí, as pessoas não aceitarem as diferenças.

As distinções entre direita e esquerda não são absolutas. A discordância em um assunto não quer dizer que não possa existir concordância em outro.

É hora de conversar com a direita

Comentários

Be kind / Be nice

  • Zapeando pelos post, caí neste, e adorei! Sabe que já estive pra escrever algo semelhante , mas nunca consegui? Puxa, que bom que você fez isso! O mundo tá precisando de roxo (que, aliás, é minha cor preferida)!

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