Mulheres que me ensinaram a ser como sou

Data: 23.11.2015  Categoria: Pessoal  Leitura: 5 minutes 

Padrão de beleza é uma merda desde sempre e a gente sofre com isso desde pequena. O padrão também existe para os homens, mas todo mundo sabe que não existe pressão e cobrança para que eles sejam iguais; já com as mulheres é diferente, tanto homens e mulheres apontam os dedos para aquelas que não seguem as regras.

Quando era mais nova eu sofri zoações e comentários maldosos, principalmente por parte dos meninos. Crianças e adolescentes são cruéis e não importa como você seja, eles vão achar algo pra implicar com você. Eu era magrela demais, branca demais, pelos nos braços bem visíveis, pernas finas, cabelo lambido dividido ao meio. Mesmo na quarta série, minha melhor amiga era loira de olhos claros e já tinha peito e eu não, mas essa não foi a pior fase pra mim.

Mudando de assunto rapidinho: Num futuro, a minha filha terá o nome dessa amiga da infância. Existem pessoas que não esquecemos de maneira nenhuma, engraçado. Posso até não desejar feliz aniversário, mas nunca esqueci da data!

Voltando…
O tempo vai passando, o corpo vai mudando mas essas zoações dificilmente param. Ia pra escola de blusão e calça mesmo que estivesse fazendo 40ºC pra esconder os braços e os peitos que eu não tinha. Bermuda? Nem pensar! Ou me zoavam pela perna fina, ou pela falta de cor ou as duas coisas.
Lembro da fase do time de basquete, boa parte das meninas treinavam de short e top e eu sempre de camiseta e calça larga pra ninguém ver meus cambitos e minha falta de peito.
O problema não era a vergonha, o problema maior era os comentários idiotas e perguntas que as pessoas faziam. A gente cresce e o corpo muda mas aquilo que a gente passou e ouviu quando era mais novo fica gravado pra sempre na memória. A gente acha que tem a perna fina e fica refém do bojo pro resto da vida. Fora o meu nariz que não posso fazer muita coisa pra esconder, aliás, ele nem é tão grande assim!

É contraditório dizer que a gente não se arruma pra homem e desejar ter peitos pra ser desejada por eles, mas apesar da contradição é verdade, a gente se arruma pra nós mesmas e se a gente está preocupada com a opinião de outra pessoa é com a opinião de outra mulher, nenhuma quer ouvir a outra falando mal do corpo, da roupa ou da celulite. É trauma, sabe?
Eu e muitas como eu ouvimos muito a pergunta “Você nunca pensou em colocar silicone?” Como se fazer uma coisa dessas fosse como ir até a padaria comprar pão! A gente aprende tudo errado!
Não, nunca pensei, odeio sentir dor, odeio cortes, odeio agulhas e pessoas vestidas de branco me dão arrepios. Outra coisa que ouço bastante é “você não pensa em tomar um sol não?” Porque eu devo ficar morena? O que tem de errado com a minha (falta de) cor?

Só a pouquíssimo tempo resolvi dar um basta e apertar o botão “foda-se” dos padrões de beleza. E isso graças a mulheres lindas que vejo na TV e no metrô todos os dias. Um belo dia pensei, “se fulana tem tanto peito quanto eu usa essa roupa e está linda pra caramba porque eu tenho que me esconder?”
Mulheres que vejo no metrô todo dia, tão brancas quanto eu, que devem ouvir as mesmas perguntas e piadas, e eu me escondendo. Vejo o quanto sou idiota por me esconder só pra não ter que ouvir esse tipo de coisa. Não sou eu que estou errada em ser do jeito que sou, são as pessoas que estão erradas em querer que eu seja diferente.

Adriane Galisteu, Carolina Ferraz e Camila Pitanga.

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Isis Valverde, Sophie Charlotte, e Emma Watson.

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Zoe Saldana, Kate Moss e Shakira

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Olivia Wilde, Keira Knightley e Natalie Portman

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Temos que agradecer a essas e muitas outras mulheres por não ceder a esses padrões e não sair por aí colocando silicone. Não posso esquecer também a Cameron Diaz.

Ainda bem que o tempo está mudando e as pessoas estão mais conscientes do que é possível ou não mudar no corpo e até onde cada um pode chegar. Não é errado ser do jeito que você é, errado é se matar pra ser o que não é você.

Confesso que ainda me prendo muito a algumas coisas e fico péssima e tenho crises de choro, mas diminuí e muito o uso da maquiagem e do bojo; um próximo passo é começar a aceitar outras coisas. Aliás, o bojo é coisa recente, quem me deu o start foi minha musa inspiradora e que me representa a cada vídeo publicado, Joutjout.

Cada um é como deve ser!

Comentários

Be kind / Be nice

  • Hahahahaha, parece que estava lendo um artigo escrito por mim!!!!
    Meu Deus eu era muito você na minha adolescência. Branquela, pernas finas (usava duas calças mesmo no verão de 40 graus), nariz grande, eu era dentuça, cabelo lambidaço, kkkkkk.
    Mas eu tive sorte, pois, por mais que eu fosse dessa forma, as pessoas não me zoavam, eu era meio que a mascotinha da turma, parecia que eles tinham pena de mim (não sei o que é pior, kkkk). A educação física para mim era um martírio, pois o uniforme era aqueles shortinhos minúsculo e a camiseta da escola, todo ano eu pedia para minha mãe arrumar atestado médico para eu ser dispensada da Educação Física, o “bom” é que eu tenho bronquite (uma desculpa). O pior não eram as pessoas me zoando, mas o problema era eu comigo mesma, entende? Eu me achava a mais esquisita de todas e nunca arrumava namorado.
    Graças a Deus as coisas mudam, a gente muda, eu comecei a usar meu botão de “foda-se” a muito tempo, e olha que eu o uso muito.

    Amei ler seu artigo, me identifiquei muito com vc.

    Visitarei mais seu site.

    Beijinhos.

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