6/52: Meus brinquedos favoritos da infância.

Data: 22.05.2016  Categoria: Pessoal  Leitura: 5 minutes 

Talvez, os meus brinquedos favoritos sejam aqueles que eu não tive. O vídeo game que jogava na casa da vizinha, o carro e a moto de bateria dos irmãos de uma amiga da escola, a “frigideira” da Eliana de uma outra amiga, o carrinho de controle remoto que eu não podia brincar. Tive muitos brinquedos, só que dos outros eram mais legais, acho que com toda criança é assim. Eu tinha o costume de trocar as minhas coisas.

Tinha uma vizinha que sempre levava algo meu pra casa dela, a idiota aqui deixava levar. Sempre eram coisas pequenininhas e fofinhas. Lembro de uma borracha em formato de morango que ela levou. Deveria ter falado não pois até hoje lembro daquela borracha.
Mas é que desde muito pequena tenho essa mania horrível de fazer o que os outros querem só pra agradar, ser legar e ser aceita.

Adorava assistir as novelas do SBT, Fernando Colunga fez parte dos meus sonhos.

Líder desde pequena, ou chata, chame como quiser!
Em todo grupo tem aquele que da ideias e o que coloca em prática. Eu era a pessoa das ideias e das regras, inventava coisas e a gente colocava o irmão da minha amiga pra testar. Uma vez o pai dela desmontou o guarda-roupa e deixou as madeiras na garagem. Fizemos uma rampa com obstáculos pra poder andar de patins. Quem testou pra ver se era seguro foi o irmão dela, ele ficava puto por ser sempre ele, mas a gente tirava a sorte no 2 ou 1, no par ou ímpar, e ele perdia, claro! Se eu perco, eu mudo a regra! A bola é minha!
A gente brincava de caçar rato na casa dela, acho que é por isso que não tenho medo de ratos.

Eu adorava as cartas de Magic do meu irmão, os plastiquinhos das cartas, as pedras que ele usava pra jogar RPG, os dados. Ele sentia falta das coisas e achava na minha gaveta, mas eu nunca soube como aquelas coisas apareciam lá. Adorava ver meu irmão jogar RPG com os amigos, mas ele me colocava pra fora do quarto. Queria jogar vide-game mas me davam o controle desligado. Queria brincar na rua com o pessoal mais velho, eles diziam que eu era café-com-leite e tinha que esperar, eu era a próxima, mas nunca chegava a minha vez.

Tive um porta-moedas de bichinho, levava o dinheiro pro lanche da escola lá. Quando apertava a barriga dele o nariz piscava e ele tocava música. Pagava lanche pra quase todo mundo que me pedia, minha mãe ficava louca comigo. Mas voltando pro porta-moedas, sempre achei o da Helena mais legal, e amava o estojo de bichinho da Ana Paula.

Teve uma época em que a Helena levava o material na mão, preso por elásticos próprios pra isso, achava aquilo o máximo, larguei a mochila e passei a levar na mão também. Minha mãe odiou a história no começo, bobeira dela. Lembro que em um dos dias de aula de sapateado ficamos até mais tarde na escola, andando por lá vimos um pássaro com a asa machucada, “cuidamos” dele. Toda criança escolhe uma pessoa pra copiar, a Helena era a loira, de olhos verdes e que todos os meninos queriam. Como não amar?

Lembro da casa da Aline, que era ali perto de onde a gente estudava. Tinha um terreno com cana perto da casa dela, a gente pulou o muro pra levar um pouco. Pisei no formigueiro!  Tinha uma casa abandonada na rua da frente. Todo mundo cismou que era mal assombrada, a gente pulou o portão dessa também. Mas ninguém quis ficar mais que 30 segundos ali dentro.

Meus brinquedos favoritos eram a bicicleta, a bola de basquete e o binóculo do meu pai. Eu ficava na janela olhando as estrelas e procurando ovnis. Quase toda semana eu ia até a bicicletaria comprar alguma coisa nova pra bike. Pinos pro pneu, buzina nova e os apoios pra fazer manobra. Eu não fazia manobras, usava pra dar carona mesmo. Durante as férias era bicicleta todo o dia, o dia todo. Quem me ensinou a andar foi um dos meus irmãos. Se dependesse do meu pai e o “próximo final de semana eu te levo” dele, não saberia andar até hoje.

Agora, o brinquedo favorito mesmo, que ia comigo por todos os lugares era a Fia, o nome que dei pra ela. A Fia era uma boneca Emília. Lembro quando a cabeça dela saiu do corpo e espalhou enchimento pelo taxi todo. Minha mãe não sabia se me socorria ou socorria a boneca. Confesso que judiava um pouco da boneca, ela estava sempre comigo e não largava por nada. Abraçava, beijava, dava carinho pra boneca, mas às vezes ela me irritava e eu batia na cara dela. Ficava com dó e beijava de novo.

Quando meus pais buscavam meus irmãos na escola eu ia junto e a boneca também. O Tio Romeu, o porteiro, ameaçava pegar a boneca e às vezes conseguia, só pra me deixar nervosa, mas eu adorava ele! Algumas crianças tinham medo, ele não tinha dente, era alto, magro, e muito velho. Quer dizer, da altura que eu via ele parecia alto. Também morro de saudades do professor Norival, o professor de Ed. Física. Super palhaço e divertido. Da Tia Eliane, que era a inspetora, de andar pelos corredores da escola, de fingir que estava passando mal só pra dar uma volta, ir tomar chá e comer bolacha.

Criança não precisa de muita coisa.

Comentários

Be kind / Be nice

  • A sua história com a Fia é bem parecida com a minha e o meu Dudu. Eramos inseparáveis, ele vivia sujinho e de cabelo em pé. Toda viagem ele ia comigo e meu irmão adorava fazer maldades com ele…rs.

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