O Facebook

Data: 17.08.2016  Categoria: Tecnologia  Leitura: 7 minutes 

Esses dias me peguei pensando nos motivos que fazem as pessoas sentirem falta do Orkut, motivos que fossem além da simples nostalgia.
O Orkut perdeu espaço para o Facebook e aos poucos todos foram migrando para a nova rede até que ela se apagou. Na tentativa de prender os usuários a Google “orkutizou” demais as páginas, fez mudanças que não precisavam ser feitas e perdeu a característica que tinha no início, muita poluição visual e as comunidades já não eram mais a mesma coisa.
A rede perdeu a identidade e a qualidade, e vejo o Facebook indo para o mesmo caminho, talvez dois. Antes quero esclarecer que quando digo Facebook estou falando da rede social e não da empresa.

O primeiro caminho é a perda da identidade. Você se cadastra no serviço que oferece uma coisa e depois percebe que já não recebe mais aquilo que recebia no começo, que as coisas estão diferentes e você não está mais satisfeito. Confesso que só não saí de vez pois ainda não apareceu nenhuma outra rede que me chamasse atenção, não que a gente precise delas, mas essas coisas são legais.
Também não apareceu nenhuma onda que me arrastasse junto com todo mundo.

As pessoas andam tão insatisfeitas com a rede que vejo pipocar textos de pessoas que excluíram todo mundo da timeline pra ver só atualizações das páginas que segue.
Explico: Quando você está cansado de ver a sua tia postando merda no Facebook mas acha que fica chato excluir pois é da família você pode simplesmente deixar de segui-la. Ela vai continuar na sua lista de amigos, mas você não vai ver mais nada que ela posta na sua timeline, a não ser que você vá atrás.
Isso era bom no Orkut, você tinha a sua página, o seu perfil, as suas fotos, os seus recados e qualquer coisa que você quisesse postar você fazia em uma comunidade direcionada ao assunto, então só quem estivesse interessado veria e não qualquer um. Acho que é um pouco disso que faz as pessoas se frustrarem com o Facebook, pois o Orkut era como é a vida real, você não vai falar de trabalho com qualquer um, não vai falar de música com quem não gosta de música, não vai falar de artesanato com quem não entende nada. Você vai atrás de quem gosta, das amizades que você tem em cada área da sua vida.
Isso não é viver em uma bolha ou em uma zona de conforto como está na moda dizer. Isso é ser o que você é no ambiente apropriado para aquilo.
No Facebook a gente mira uma coisa mas acaba acertando em outras que não tem nada a ver com o objetivo inicial.

É difícil até mesmo ver as páginas que você curtiu. Algumas até mudam de nome e você nem fica sabendo, e as pessoas querem te julga com base nisso.
O Facebook virou um lugar para venda, divulgação e deixou de ser o que era. É um “centralizador” de links que não centraliza nada. Apenas seleciona e mostra aqueles com mais likes, shares ou os promovidos. É uma linha do tempo infinita cheia de manchetes sensacionalistas que ninguém abre pra ler, e essa pessoa acha que já está informado por ter lido a manchete e os comentários dos outros e já sai compartilhando uma notícia que nem leu dando uma opinião que nem está formanda ainda.
Mais um dos motivos que está cansando os usuário do Facebook são as contantes brigas e textões, fazendo com que pessoas da mesma família e amigos que se gostam muito se excluam por posições políticas e preconceitos. Preconceito e discurso de ódio são coisas sérias, mas exatamente por isso não é excluindo o seu amigo ou parente da rede que vai resolver o problema. Assim como a pedofilia não vai acabar e o cara não vai deixar de ser pedófilo se tirarem a internet dele.

Claro que estou falando de pessoas normais, como eu e você e não de terroristas, pedófilos, etc… Esses vão conseguir usar qualquer ferramenta para o mal.

O Facebook ainda não entendeu que nós não fazemos parte de um grupo social, mas de vários. O pessoal do trabalho, o pessoal da escola antiga, o pessoal do primário, o pessoal da faculdade, os amigos, a família, os professores. Cabe a nós pensar direitinho no que estamos falando e lembrar que todos de todos os grupos irão ver aquilo e que se você não deixar o seu post limitado para seus contatos os amigos dos seus amigos também irão ver o seu post. O alcance daquilo que você posta pode ser grande.
O Facebook te da a opção de criar grupos e até mesmo cria alguns por padrão para você, mas ele não percebeu que não é fácil administrar esses grupos, a privacidade do perfil e nem que esses grupos automáticos não funcionam como gostariam.
Um exemplo disso é alguém postar uma foto com você, te marcar e alguém que você não gostaria que visse a foto, ver. Pode não ter nada de errado na foto, mas sabe aquele amigo ciumento que não pode descobrir que você saiu sem ele? Pois é, vai dar problema. Ou então o seu chefe ver a sua foto bêbado no final de semana.

Não se trata de descobrir quem são as pessoas de verdade ou esse papo de que quem não deve não teme. Ninguém é realmente o que mostra ser numa rede social, alí são apenas tons de quem somos no dia-a-dia, mas não define ninguém. Conheço gente que aparenta uma coisa na rede social e na via é outra (e digo isso pelo lado bom, a pessoa é muito mais agradável fora da rede). A função de uma rede social não é dizer quem tu és por conta de quem tu andas ou curtes. Isso aí é função da vida e fica a critério seu.

No Facebook a vida passa e você nem vê. No Orkut você podia voltar para o assunto no dia seguinte que ele estaria lá, onde você deixou.

Frequentamos grupos sociais diferentes e não queremos sair misturando as coisas. É possível ter esse controle, mas a configuração não é de fácil acesso, não é intuitiva e vira um processo bem demorado separar todo mundo por grupo pois você não tem a visão macro de ver quem está ali, quem não está e quem ainda não foi classificado.
Quando aparecer outra rede social fazendo essa parte de gerenciar contatos de uma forma muito melhor o Facebook vai perder freguês, pois ele oferece a opção, mas não quer que você a use. Softwares, aplicativos, redes sociais… para todos existem um clico de vida assim como existe com a gente, e eu vejo que o Facebook está na fase em que as pessoas estão usando menos e se distanciando mais.

Escrevendo menos, selecionando mais ou saindo de vez. Se fica difícil você excluir um, você acaba excluindo todo mundo.

No início citei que enxergava dois caminhos para o Facebook. O primeiro eu já citei, é ter o mesmo fim que qualquer rede social, o segundo é seguir o mesmo caminho da Google, o que me parece mais provável. A rede pode até acabar, mas a empresa vai continuar existindo e oferecendo vário produtos pra nós.

Comentários

Be kind / Be nice

  • Boa noite,
    Achei perfeita sua colocação sobre o Facebook, é exatamente o que eu penso, mas você soube expressar bem.
    Possuo um blog, mas por enquanto por falta de tempo e desativei, mas fique de olho que em breve voltarei.
    Até mais…

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