Eu sei o que você está pensando

Data: 02.06.2017  Categoria: Livros  Leitura: 5 minutes 

Isso não é uma resenha de livro. É que é tão bom ler um livro e sentir falta de um personagem.
Recentemente terminei o livro “Eu sei o que você está pensando” de John Verdon pela editora Arqueiro e conheci o detetive David Gurney. Como eu sinto falta desse detetive!

Além deste personagem ter me fisgado, um outro detalhe do livro me pegou. É um diálogo entre Mark Mellery e David. O diálogo em si é irrelevante para as coisas que acontecem, mas o que Mark disse para David me pegou em um momento e tanto e me fez refletir. Só para te situar, Mark Mellery é um desses caras que têm uma vida toda torta e que em algum momento da vida enxergam algo e viram guros e escrevem livros dizendo o que as pessoas querem/precisam ouvir, ele é o perseguido pelo autor da carta que pede para que ele pense em um número. Em um dos vários diálogos entre Mark e David, Mark fala sobre dicotomia interna.

Na filosofia, dicotomia é a partição de um conceito em dois outros, é uma divisão, uma dualidade dento de alguma coisa. E ele diz:

“O conflito mais simples é o que existe entre o modo como nos vemos e o modo como vemos os outros. Por exemplo, se estivéssemos discutindo e você gritasse comigo, eu acreditaria que a causa do grito era a sua incapacidade de controlar seu temperamento. Mas, se eu gritasse com você, não pensaria que a causa do problema era meu temperamento, e sim a sua provocação. Ou seja, meu grito seria uma reação adequada a algo que você tivesse feito. Cada um de nós parece acreditar que minha situação causa meus problemas, mas a sua personalidade causa os seus. Isso cria conflitos. Meu desejo de que tudo seja feito do meu modo parece fazer sentido, mas seu desejo de que tudo seja feito do seu modo parece infantil. Um dia perfeito seria aquele em que eu me sentisse melhor e você se comportasse melhor. A forma como vejo as coisas é a forma como elas são. O modo como você as vê é deturpado por seus objetivos.”

E cara, quando duas pessoas estão passando exatamente por isso, não tem jeito delas se entenderem. É tão gostoso quando um livro te pega nesse jeito, pois era esse momento que eu estava vivendo quando passei por esse trecho do livro.
Assim que li abri o Google Docs e anotei esse pedaço do diálogo pois eu sabia que tinha que guardar isso pra vida. Ficou claro para mim que tudo o que estava passando era basicamente por isso, por achar que o meu modo fazia sentido mas o do outro era infantil, só que essa outra pessoa estava pensando exatamente da mesma forma! Se isso continuasse, o problema não seria resolvido nunca. Preciso me lembrar de refletir sobre isso mais vezes.

Eu sei o que você está pensando” é um suspense policial. É o primeiro livro do autor com o detetive Gurney. O livro me prendeu do início ao fim e não precisou acelerar a história e acontecer coisas mirabolantes para ficar interessante. O livro me pareceu ter o ritmo certo, ainda que você descubra antes de todos os personagens onde encaixar as peças do quebra-cabeça. É isso que faz você se sentir parte da história e te faz ir até o final, saber se você está realmente certo e ver quando e como os personagens vão descobrir tudo, e mesmo assim o final consegue te surpreender.
Além da história principal, a história pessoal do detetive Gurney é igualmente interessante, a forma dele agir e pensar te prende da mesma forma que o restante do livro e me fez sentir falta dele. Essa falta é o que está me fazendo ir atrás dos próximos livros do personagem: Feche bem os olhos, Não brinque com fogo e Peter Pan tem que morrer.

Para quem se interessa, segue a sinopse do livro:

‘Eu sei o que você está pensando’ propõe um enigma que parece insolúvel. Um homem recebe pelo correio uma carta que termina da seguinte forma – ‘Se alguém lhe dissesse para pensar em um número, sei em que número você pensaria. Não acredita? Vou provar. Pense em qualquer número de um a mil. Agora veja como conheço seus segredos.’ O destinatário, Mark Mellery, pensa no número 658 e, ao abrir um envelope que acompanha a mensagem, descobre que o autor da carta previu corretamente o número que ele acabara de escolher de modo aleatório. Desesperado com os bilhetes ameaçadores que se seguem à carta, Mark procura um velho colega de faculdade, o detetive David Gurney, recentemente aposentado do Departamento de Polícia de NovaYork. Aos 47 anos, David acaba de se mudar com a esposa para uma fazenda no interior do estado e tenta se adaptar a um novo estilo de vida. Mas sua mente, extremamente lógica, é fisgada pelo quebra-cabeça apresentado por Mark. Ele percebe que encontrou um vilão à sua altura quando as estranhas ameaças terminam em morte. Tudo leva a crer que o assassino, além de ser clarividente, cometeu um crime impossível, deixando pistas sem sentido e desaparecendo no meio do nada. Consumido pelo desafio de encontrar uma resposta lógica para o caso, David aceita trabalhar como consultor na investigação, colocando em risco seu já debilitado casamento e até mesmo sua vida.

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