Rascunho de julho de 2018

Data: 10.01.2019  Categoria: Pessoal  Leitura: 4 minutes 

O ser humano sempre foi desprezível. A internet não transformou ninguém, as pessoas é que criaram a internet que conhecemos hoje. A internet apenas mostra para você o quanto o mundo está podre e o quanto as coisas irão demorar para mudar.

Talvez os bons ainda sejam maioria, mas parece que nenhuma atitude boa consegue anular as atitudes ruins. As notícias boas são poderosas sim, fazem o dia de qualquer um melhor, aquece o coração, nos faz lembrar que existem pessoas preocupadas com outras e dispostas a ajudá-las sem pensar em ganhar algo em troca.

Mas além e tudo isso, as pessoas parecem cada vez mais egoístas e se esquecem que o outro também possui problemas e que também sente dor. Eu sinto muito dor.
Ninguém pensa duas vezes antes de criticar, ofender, dizer “verdade” e opiniões que não foram solicitadas. Seja qual for o assunto, a mania de apontar o dedo para o erro e se mostrar “evoluído” parece mais forte que o silêncio.

Não vejo mais as pessoas se aprofundando em nada. Nem em relacionamentos, nem em leituras, nem em tema nenhum. A manchete basta.

Ninguém mais têm paciência para ouvir o que o outro tem para dizer até o fim sem interrupção, principalmente quando os ouvidos não estão acostumados a ouviu opiniões contrárias. Ouvir não vai fazer com que você deixe de ser quem é, ouvir não vai te machucar nem te obrigas a mudar suas opiniões e princípios.

“…la capacidad para escuchar no significa aceptar lo que se ha dicho o incluso aceptar a la persona. Sólo escuchar.”

José Alfonso (https://medium.com/espanol/la-capacidad-para-escuchar-c6b45dcbe9bb)

A capacidade de estuar é se colocar no lugar de quem está falando para poder entender realmente a mensagem que está sendo transmitida. Não adianta nós nos mantermos no nosso mundo particular enquanto alguém fala pois não fará sentido nenhum. Precisamos da capacidade de imaginar, sair do nosso lugar comum, caso contrários, é como conversar sozinho.

Para ouvir e entender com sinceridade não podemos deixar o ódio interferir na conversa, mas isso parece que está cada vez mais difícil. Precisamos ao menos guardar o que foi dito para consultar mentalmente depois num momento de calma. Em algum outro momento tudo aquilo que foi dito pode fazer sentido.

Tire do vocabulário o termo “mimimi”, isso não é argumento, e nada no mundo é “mimimi”. Se suas ideias, dores e reclamações não são, porque as do outro também seriam? Você não é mais importante e os seus motivos não são mais válidos que do outro. Sua dor não é maior nem mais dolorida, cada um sabe os calos que lhe apertam.

Qual é a dificuldade em tratar o outro ser humanos com o mesmo respeito que queremos receber? Perceba que quando nós não gostamos de uma brincadeira que fazem com a gente ficamos chateados e desejamos que aquilo parasse. Mas quando nós é que fazemos a brincadeira achamos a pessoa uma chata que não aceita nada. Não seria maravilhoso se todos se respeitassem? Qual é a dificuldade em se colocar no lugar de alguém e lembrar que se a “brincadeira” fosse com você, você também se irritaria?

Quando vamos parar de julgar as decisões do outro quando essas não nos dizem respeito? Se a decisão e atitude de alguém não afeta em absolutamente nada na minha vida, porque então tenho que me meter nessa decisão? Falamos tanto em receber respeitado e estamos esquecendo de respeitar. Na primeira diversidade nos afastamos, apontamos o dedo e recriminamos.

Infelizmente ainda não aprendemos a viver coletivamente. Não aprendemos, ainda, que a nossa liberdade termina onde começa a do outro. Não aprendemos que além dos direitos e vontades também temos deveres. Como disse Cortella, na vida, existem 3 grandes questões: Quero? Devo? Posso? Nem tudo que eu quero, eu posso; nem tudo que posso eu devo; nem tudo que devo eu quero. Só conseguimos ter paz quando reunimos as 3 coisas.

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